Nazaré

“Quartos; Rooms; Zimmers; Chambres”, invadem as varandas ou as mãos das senhoras das sete saias que dizem em inglês, com acento nazareno: “come here, my love!”
É a autenticidade e o preservar das tradições que me encantam nesta terra. O cheiro a mar que teima em salpicar o rosto dos que por lá passeiam, quase como se de água benta se tratasse. As mãos e os rostos das senhoras que vendem peixe seco não enganam. São mapas genuínos de vida. Estão vestidas a rigor com as suas saias, tantas quantos os dias de semana, lenço na cabeça e libras a dourar as orelhas. São bonitas. Desculpem… São muito bonitas e gentis. É a Nazaré.

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Escócia

Poder terminar 2017 e receber o novo ano a fazer aquilo que mais gostamos é um privilégio. A gratidão vai crescendo e ganhando formas. Tem curvas de sorriso e a força dos abraços apertados e partilhados.

Há muito que a Escócia estava naquela lista-sem-fim-de-sonhos, sempre disponível para imprevistos e surpresas. No dia que chegasse esta viagem sabia que não se tratava apenas da descoberta de um novo país. Os sentidos e a memória seriam postos à prova, com muita frequência. Há um toque de Islândia e um outro de Açores. Há o desafio de conduzir à esquerda da faixa de rodagem, à direita do automóvel e, como se a lateralidade não estivesse confundida o suficiente,  as mudanças são metidas com a mão esquerda. Desafio superado com distinção e gargalhadas imensas.
Se as cidades são encantadoras, como Stirling e Edimburgo, é a natureza que impera e aquece a alma. Partir de Glasgow numa manhã brindada com um forte nevão e conduzir até Portree, disse ser das estradas mais bonitas que alguma fiz. Menti. Contornar a ilha de Skye é uma perdição. Ir até Inverness outra imensidão de beleza. As paragens são tantas quantas as vezes que o deslumbramento toma conta de nós. Para os amantes de caminhadas, a Escócia oferece um vasto leque de trilhos marcados para nos ‘perdermos’ dias a fio.
Dificilmente quaisquer palavras ou fotografias farão jus à magia que brota deste país.
Aqui fica o convite, na forma de imagem, para um dos meus verbos favoritos: IR; para voltar, os que já lá foram; e para os indecisos, estão à espera de quê?

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Castelo de Eilean Donan

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Castelo Dunnotar

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Balanço

Prestes a terminar o ano, consciente ou inconscientemente faz-se um balanço. Como forma de celebração da vida, tentei escolher uma foto por cada mês. Tarefa demasiado árdua. Felizmente, não consegui. 2017 foi um ano recheado e, por vezes, atribulado. Guardo momentos especiais, em locais mágicos e, o melhor, com pessoas que alimentam a loucura, o coração e a alma.
2018, estou a sorrir e de braços abertos. Anda daí…

Janeiro

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Connemara | Irlanda
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Serra da Estrela

Fevereiro

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Taizé | França
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Taizé | França


Março
Sereno e encantador Alentejo…

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Messejana
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Messejana

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Abril
O  meu Minho…

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Soajo
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Arcos de Valdevez

E ainda…

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Picos de Europa | Espanha
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Picos de Europa | Espanha

Maio

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Dornes
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Aqueduto dos Pegões

Junho

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A caminho dos 3479 | Mulhacén | Serra Nevada | Espanha
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Lá bem no alto… | Mulhacén | Serra Nevada | Espanha

Julho
Mais Alentejo…

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Alqueva
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Alqueva

E ainda…

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Ilhas Cíes | Espanha

Agosto
A generosidade encarnada num país… Irão
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Setembro

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Cores: azul mar e azul céu

Outubro

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Caldas da Rainha

Novembro

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Foz do Arelho

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Dezembro

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(talvez continue…)

Privilégios…

Podem clicar no play?

Agora sim, preparados para sentir…

Três  e meia da manhã. O despertador toca e, sem qualquer hesitação, saltámos da cama. Espera-nos um dia longo. Espera-me o dia que mais anseio desta viagem… Aqueles castelos de areia que construía em criança, na praia de Moledo, ganham, após algumas décadas, corpo… e magia. Sentada “nas ameias da torre de um destes castelos e rodeada por outros tantos” vou receber a energia do sol a nascer.
Partimos de Kerman rumo ao deserto Dasht-e Lut, no sudeste do Irão.  Ainda de noite, após 130 km de viagem, chegámos ao deserto onde em 2005, segundo medições da NASA,  se registou aquela que foi a maior temperatura alguma vez atingida na Terra: 70,7 graus Celsius. Chegámos mais precisamente à zona dos Kaluts, os ditos “castelos de areia”, formados por ventos fortes que transportam sedimentos, provocando erosão em grande escala. Este fenómeno torna estas formações em algo que não existe em nenhuma parte do mundo.
Caminhámos na areia até ao cimo de um dos “castelos”. Cada uma ocupou a sua “ameia”. Fez-se silêncio…
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Sete da manhã. Senti que tinha ganho o dia, a semana, o mês, o ano… sentia-me a maior privilegiada deste planeta. Este foi um dos momentos mais mágicos desta e de todas as viagens, incluindo as que estão por vir.

Dirigimo-nos para o táxi, para regressar a Kerman. O taxista, que não falava uma única palavra em inglês, tem a mala do carro aberta. Dentro tem quatro copos de chá. É possível amanhecer melhor que este?

Voltámos só para confirmar se o pôr-do-sol é igualmente mágico (como se houvesse alguma dúvida).

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Danças?

“(…) vivemos numa tapeçaria e que, por mais longe que estejamos uns dos outros, somos a mesma história, fazemos parte do mesmo tapete, a morte de uns é o nascimento de outros, a face da nossa vitória é a derrocada de alguém. (…) a nossa história nunca é só a nossa história, é uma vastidão tão grande que custa mapear. Faremos os possíveis. Resistiremos à pequenez a que nos prendem, ao nome que somos, ao corpo ridículo que temos, resistiremos à Conservatória, ao estado larvar a que fomos condenados, porque somos muito mais compridos do que isso, muito mais antigos, muito mais vastos. Temos asas coloridas de borboletas dentro de casulos pútridos e cinzentos que chamamos realidade objectiva ou identidade ou individualidade.”

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“Pousei a cédula do senhor Ulme na prateleira e disse:
– Já sabemos em que ano nasceu.
– Eu sei que ano nasci, cavalheiro. Não precisava de consultar a minha cédula.
– Muito bem. E agora?
– Agora, o quê?
– Próximo passo.
– O cavalheiro sabe dançar?
(…)
– Eu não consigo dançar, acho que não nasci com os genes necessários.
– Genes?
– Que se lixem os genes. Nem sequer se vêem a olho nu. São uma desculpa ridícula, uma desculpa que nem se vê a olho nu.
– A verdade é que nem sei por onde começar.
– Solte as ancas, cavalheiro, que o próximo passo virá naturalmente.(…)”
Flores | Afonso Cruz

“Welcome to Iran”

Podia fazer um estudo estatístico, mas julgo que ninguém duvida quando afirmo que os melhores destinos de viagem são aqueles que se decidem a uma mesa, com amigos e umas boas gargalhadas. O destino foi lançado e, imediatamente, ouviu-se: “então vamos!”… E assim foi… “Irão ao Irão” ganhou vida.
Aquele que para muitos é considerado um país perigoso, entrou diretamente para o primeiro lugar como o mais acolhedor de todos que visitei até ao momento. As pessoas são incrivelmente simpáticas e genuínas. De sorriso estampado diziam repetidamente uma frase que ainda hoje ecoa nos nossos corações (e cabeça): “Welcome to Iran”.

Nos próximos dias voltarei para partilhar um pouco daquilo que foi esta aventura por terras iranianas. Para abrir o apetite, a foto que, quanto a mim, retrata este país: a doçura e os sorrisos das pessoas e, infelizmente, as limitações do género feminino (acredito na mudança).
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