Mundo Cão

Para refletir…

O vulcão Ijen, na ilha de Java, com 2386 metros de altitude, é um dos 143 vulcões ativos, no arquipélago da Indonésia. O lago no interior da cratera –  Kawah Ijen – é explorado intensivamente para extração de enxofre. Os mineiros, que começam a trabalhar às três da manhã, arrancam blocos de enxofre nas orlas do lago e transportam-nos, ao longo de três quilómetros, dentro de dois cestos de bambu unidos por um pau colocado sobre os  ombros,  até ao topo. Cada homem carrega muitas vezes o dobro do seu peso – entre 70 e 90 quilogramas. Fazem um transporte por dia, por vezes dois, para no final ganharem 4 a 8 euros.

O vídeo que segue retrata esta dura realidade:

Terraform é o terceiro e mais recente single divulgado, da dupla Novo Amor e Ed Tullett, que integra o álbum Heiress, com lançamento previsto para 10 de novembro.

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Sanidade

“Quando chego a casa, encontro-a dentro da banheira; mas a banheira está vazia e ela completamente vestida. Esta visão é surpreendente e perturba-me um pouco; contudo, a expressão do seu rosto é serena e tranquila, apaziguada. Sorrio, tento não me alarmar nem reagir precipitadamente, tento não denunciar que estou assustado; mas sou incapaz de me aproximar dela e acariciar-lhe o cabelo (o que teria feito, em circunstâncias normais, se ela estivesse nua e a banheira cheia de água fumegante). Respiro fundo e, esquecendo-me de continuar a sorrir, pergunto o que se passa.
– Nada de especial, acho eu. Estava apenas a pensar como a vida avança em ciclos; não é? Os dias que se sucedem, e depois as semanas, os meses, os anos; tudo ordenado e previsível. Como se vivêssemos permanentemente no interior de uma rotunda, sempre às voltas; porque tudo é circular, tudo se repete. E como podemos inverter isto? Como quebrar a linearidade do tempo, como desafiar o destino, como enganar o futuro e torná-lo mesmo inesperado? Já alguma vez pensaste nisso?
Não. Nunca pensei na linearidade do tempo.
– Eu penso nisso, por vezes. Afinal, o que tem o futuro de verdadeiramente imprevisível? Que efectivo grau de surpresa nos reserva o futuro? A sério que não pensas nisso?
A sério.
– Mesmo que os eventos nos surpreendam, nós somos sempre nós; somos uma espécie de constante que vai evoluindo mas sem efectivamente mudar, na essência. E seremos sempre incapazes de nos surpreender a nós próprios, é esse o problema; é isso que nos perturba e irrita, que nos deprime: nunca teremos surpresas genuínas porque o futuro que está para vir será uma mera repetição de algo que já aconteceu, algo que já nos aconteceu.
E cala-se, como se não houvesse nada mais para dizer.
– Só podemos dar e receber o primeiro beijo uma vez; só uma vez, e acabou. Todos os restantes beijos da nossa vida serão repetições do primeiro; percebes? E até poderão ser repetições melhores mas não deixarão de ser repetições. É um bocado assustador, não é?
Encolho os ombros; mas ela não me está a olhar.
– Portanto, apenas nos resta tentar desafiar o futuro, forçá-lo a surpreender-nos. E é nisto que tenho pensando, em formas de contornar a previsibilidade do que ainda há-de vir.
Sorri. Como se, afinal, tudo estivesse normal. Como se fosse uma manhã de sábado repleta de sol e a banheira estivesse a transbordar de água, a casa de banho cheia de vapor e de um cheiro inebriante a champô de coco, e estivéssemos a falar daquele programa de culinária que tínhamos visto no outro dia; tudo normal.
– Sabes de que me lembrei? Que poderia tentar inverter as coisas: recusar-me a ficar à espera que o futuro me surpreenda mas surpreender, eu própria, o futuro. Fazer algo improvável e inesperado, inexplicável (talvez aquilo que muitos chamam loucura, percebes?), algo que perturbe o natural fluir dos acontecimentos, enganando e baralhando o futuro. Achas que o futuro pode ser baralhado? Eu acho que sim, que podemos tentar inverter a normalidade, podemos tentar suspender a metódica e circular marcha do tempo. Ou, pelo menos, brincar com o tempo, provocando-o um pouco; provocar-lhe soluços.
Poderia dizer-lhe que se estava a contradizer, ao desejar que tudo fosse diferente quando acabara de afirmar que nunca existirá genuína surpresa na vida de alguém; mas talvez seja a contradição que nos desafie e faça avançar, talvez a harmonia apenas conduza ao conformismo e à letargia, à resignação.
– Há pessoas que pensam que a vida é como um jogo de xadrez; e depois decoram jogadas inteiras, planeiam tudo, antecipam tudo, imaginam que controlam tudo; esquecendo que quem joga com elas também tem as suas próprias estratégias, esquecendo que o destino tem as suas próprias estratégias. Diz-me, o que será preferível: jogar por instinto ou jogar planeado? Quanto a ti, não sei. Mas eu estou um bocado cansada de jogar planeado, de seguir as regras, de repetir. Estou mesmo. E estava aqui a imaginar o que pensará o destino quando me vir assim, vestida e sorridente numa banheira vazia. Achas que ficará baralhado? Tu ficaste.
E sorri, uma vez mais. Não sei o que pensar, o que sentir; não sei se ela terá ficado momentaneamente louca ou se está simplesmente certa. Permanecemos em silêncio, escutando apenas o distante rumor do universo (aquele rumor que, no fundo, mais não é do que um indisfarçável bocejo). Mas reparo que estou a sorrir, que por algum motivo desconhecido começara a sorrir; e é a sorrir que pergunto: deixas-me entrar, posso juntar-me a ti?
E depois, beijo-a. Como se fosse a primeira vez.”
Loucura | Paulo Kellerman

Um conto e  31 imagens

“Estamos aqui, o caminho também tem lugar”

“O distante perde distância quando se vai lá. Os lugares mais longínquos são aqueles onde nunca se esteve. Quando já se foi a um lugar, mesmo que seja preciso atravessar o planeta, fica a saber-se que é possível fazer esse caminho. Deixa de pertencer ao desconhecido sem detalhes, ganha formas imprevistas. Há vida lá como há vida aqui.”
O Caminho Imperfeito | José Luís PeixotoP1090521

A luz do globo

Guardo ainda hoje um presente de aniversário oferecido pelo senhor António – um globo terrestre. Recordo: todas as noites, sem exceção, quando os meus pais diziam que estava na hora de dormir, ia para o quarto e a luz do candeeiro dava lugar à luz do globo. Rodava-o uma e outra vez. De olhos fechados deixava que fosse o dedo indicador a escolher o destino daquela noite. Repeti países, mas isso pouco importava. Em todos eles havia tanto por descobrir. Em todos eles há tanto por descobrir. Quando lá regressava era sempre diferente, sempre tão bom! Na Argentina dancei o tango e adormeci ao som de Carlos Gardel.  Na Islândia caminhei sobre os glaciares, enquanto os elfos saltitavam a meu lado. Em França subi ao cimo da torre Eiffel e sonhei com o amor. No Chile fui embalado pelas Torres del Paine e no Tibete senti o quão pequenos somos defronte para o Evereste. Foram infinitas noites a viajar. Por vezes demorava a despertar e regressar à realidade. Ia para a escola com os aromas impregnados na pele e na alma. A minha professora diz que viajar também é isso…

Música, música,… sempre música!

Foi no dia 1 de outubro de 1975 que o International Music Council –  instituição fundada em 1949, pela UNESCO, que agrega vários organismos e individualidades do mundo da música – instituiu o Dia Mundial da Música. “Promover a arte musical em todos os sectores da sociedade, divulgar a diversidade musical e aplicação dos ideais da UNESCO como a paz e amizade entre as pessoas, a evolução das culturas e a troca de experiências”, são alguns dos objetivos que estão na origem da criação deste dia.

“A música tem um enorme poder transformador, quase imediato. É uma das poucas artes, senão a única, capaz de nos fazer mexer o corpo, de nos pôr a dançar, de provocar catarse ou êxtase.” 
Nem Todas As Baleias Voam | Afonso Cruz