Islândia IV

Um dos “poderes” dos sonhadores é viajar, com frequência, sem sair do sofá. Viaja-se pelo ainda desconhecido ou volta-se a locais antes visitados.

Imbuída pelo frio que se faz sentir, apeteceu-me ir até à Islândia, mais concretamente a Leirhnjúkur,  que faz parte da região vulcânica do Krafla. Se por um lado a Terra do Gelo com os sedutores  glaciares encanta qualquer um, a parte  correspodente à Terra do Fogo não se deixa ficar atrás.  A intensa atividade vulcânica da Islândia ajudou a moldar a sua deslumbrante paisagem. Em Leirhnjúkur percorro o que o interior da Terra ofereceu. Caminho sobre um vulcão ativo. O solo está quente. Durante um par de horas perco-me entre os campos de lava e deixo-me levar pelo mistério que as fumarolas fazem sentir. É a Mãe Natureza a conduzir este trilho soberbo.

Curiosidades:
A primeira erupção ocorreu entre 1724-29, conhecida como os Fogos de Myvatn. Após 250 anos de dormência, o Krafla entrou em erupção de 1975 a 1984, período denominado  de Fogos do Krafla.

Nos Açores, os campos de lava tão característicos das pérolas atlânticas e formados pelas erupções vulcânicas, são vulgarmente conhecidos por “Mistérios”, atendendo a que os habitantes não tinham justificação para tais fenónemos naturais.

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Escócia

Poder terminar 2017 e receber o novo ano a fazer aquilo que mais gostamos é um privilégio. A gratidão vai crescendo e ganhando formas. Tem curvas de sorriso e a força dos abraços apertados e partilhados.

Há muito que a Escócia estava naquela lista-sem-fim-de-sonhos, sempre disponível para imprevistos e surpresas. No dia que chegasse esta viagem sabia que não se tratava apenas da descoberta de um novo país. Os sentidos e a memória seriam postos à prova, com muita frequência. Há um toque de Islândia e um outro de Açores. Há o desafio de conduzir à esquerda da faixa de rodagem, à direita do automóvel e, como se a lateralidade não estivesse confundida o suficiente,  as mudanças são metidas com a mão esquerda. Desafio superado com distinção e gargalhadas imensas.
Se as cidades são encantadoras, como Stirling e Edimburgo, é a natureza que impera e aquece a alma. Partir de Glasgow numa manhã brindada com um forte nevão e conduzir até Portree, disse ser das estradas mais bonitas que alguma fiz. Menti. Contornar a ilha de Skye é uma perdição. Ir até Inverness outra imensidão de beleza. As paragens são tantas quantas as vezes que o deslumbramento toma conta de nós. Para os amantes de caminhadas, a Escócia oferece um vasto leque de trilhos marcados para nos ‘perdermos’ dias a fio.
Dificilmente quaisquer palavras ou fotografias farão jus à magia que brota deste país.
Aqui fica o convite, na forma de imagem, para um dos meus verbos favoritos: IR; para voltar, os que já lá foram; e para os indecisos, estão à espera de quê?

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Castelo de Eilean Donan

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Castelo Dunnotar

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Dia M

Dizem que hoje é o seu dia. Tem um poder único que só os privilegiados que por lá andam o sentem, no corpo e na alma. Carrega(-nos de) energia. Lá bem no alto, longe do ruído das palavras, fechamos os olhos e, ao som do vento, voamos por entre as nuvens.
Hoje é o dia M, de mágica, de majestosa. Hoje, 11 de dezembro, é o Dia Internacional da Montanha. Como diz um amigo, Vénia a esta Rainha.
Fecha os olhos e inspira… vamos voar?

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Pico | Portugal
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Pico | Portugal
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Pico Gilbo | Espanha
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Pico Gilbo | Espanha
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Lac Blanc | França
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Alpes | Itália
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Alpes | Itália
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Alpes | Suiça
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Picos de Europa | Espanha
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Chomolungma | Tibete
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Chomolungma | Tibete
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Somiedo | Espanha
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Peña Ubiña | Espanha

Tour du Mont Blanc – II

Voltamos aos Alpes?
O relato remonta ao segundo dia de aventura. Já calçaram as botas? A mochila nas costas? Ora vamos lá…

Dia 2: Les Contamines – Refúgio Croix du Bonhomme (França)
O despertador toca, uma vez mais, a horas algo impróprias, mas… dá saúde e faz crescer. Os seis valentes membros do Um Par de Botas estão prontos para cumprir a segunda etapa. Espera-nos um percurso de 14 km. Bafejados pelo bom tempo, iniciámos a caminhada em direção ao Refúgio de La Balme. Após curta paragem seguimos para o Col du Bonhomme que, segundo o marco, regista uma altitude de 2329 metros. Mais uns passos e chegámos ao destino – Refúgio de La Croix du Bonhomme.  Neste dia terminámos demasiado cedo e só nos foi permitido tomar banho no final da tarde. A água era fria. O refúgio demasiado grande e, na minha opinião, pouco acolhedor, mas rodeado de uma paisagem que fazia suster a respiração para, posteriormente, libertar o ar de forma (a)morosa.

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Tour du Mont Blanc – I

Lembram-se da Heidi, a menina das montanhas, a saltitar pelos Alpes suíços? Pois bem, foi como me senti durante o TMB. Quer dizer, nem sempre saltitei, mas há pormenores dispensáveis, certo?! Foram percorridos cerca de 170 km, passando por 3 países e perfazendo um total de 10 mil metros de desnível. O nosso mentor foi o Mont Blanc, aquele que nos propusemos circundar durante 9 dias. Loucura sadia, esta! Claro que houve momentos fisicamente exigentes, mas o desafio foi, acima de tudo, mental. Nós, seres humanos, temos uma energia e força interior que, muitas vezes, só  percebemos e valorizamos quando saímos da dita zona de conforto. Somos absolutamente incríveis!

Irei (nesta e nas publicações seguintes) partilhar breves relatos da experiência vivida (e sentida), assim como algumas fotografias. Deixo ainda um desejo: que todos possam, um dia, gozar a paz da montanha; pelo menos um dia.

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Dia 1Les Houches – Les Contamines (França)
Tudo começou em Chamonix. Bem cedo dirigimo-nos ao ponto de partida da aventura – Les Houches. Preparados? Claro que sim! Neste dia esperavam-nos 19,5 km de percurso. Foi um dia longo e com algumas surpresas pelo meio. A paisagem variou entre a cor esperança e o branco da neve que cobria parte da rocha montanhosa. No final, merecedores, fomos brindados com tons laranja de um belo pôr-do-sol. Cansados, mas o entusiasmo da primeira etapa cumprida prevaleceu. Amanhã há mais…

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Aiguille du Midi

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