Ao som do vento…


“I remember the sound of the wind as I was falling asleep. The tree branches scraping the roof like people whispering. I arrived here one winter morning or maybe it was spring. I can’t remember anymore. The mind plays tricks.
(…)
I came here because I wanted a home where I can find peace. Where I can be treated like anyone else. Where I can be anyone I want to be.”

https://open.spotify.com/track/7hXAREDWLqX7OVDwEjQMTr

Mantra

Há livros, frases e certas palavras que devem ser lidos todos os dias, como se de mantras se tratassem. Aliás, atrevo-me a dizer que deviam ser prescritos em hospitais, recomendados nas escolas ou até mesmo ao vizinho do andar de baixo. E já agora, ao do andar de cima também. Jamais devemos deixar cair no esquecimento. Este é um deles…

“(…) E muitas vezes acabamos por compatibilizar os nossos desejos àquilo que prevemos que possa acontecer, àquilo que é mais plausível que aconteça; abdicamos de desejar o que efectivamente poderíamos desejar, porque o tememos inalcançável, para nos contentarmos em desejar aquilo que cremos realizável e exequível. É como se existisse uma espécie de central sindical reaccionária dentro de cada um de nós, a reivindicar não a evolução e o crescimento e a mudança mas a simples manutenção da situação; e sob a influência desta central sindical, passamos a viver numa espécie de patamar mínimo de desejo e felicidade, acantonados nos nossos direitos adquiridos; habituamo-nos a esse patamar mínimo, seguro e previsível, controlável; abdicamos de ambicionar e perseguir uma felicidade esplendorosa, inesperada e possivelmente aniquiladora (talvez avassaladora mas obviamente impossível de manter indefinidamente), para nos acomodarmos a uma amostra de felicidade mínima mas estável, uma espécie de serviços mínimos de felicidade, sem risco nem chama nem combustão. Procuramos paz e tranquilidade, quando talvez devêssemos ambicionar agitação e desassossego. Dizemos que vivemos cada dia como se fosse o último mas, na verdade, vivemos cada dia como se fosse o antepenúltimo. E habituamo-nos.
(…)
Sentindo a passagem dos segundos, contando-os um a um. E de repente apetece-me contá-los mesmo, murmurando os números em voz baixa e não apenas pensando-os mentalmente. Apetece-me contar mas não em contagem decrescente, como fizera antes; apetece-me começar do princípio, como se a vida estivesse a iniciar. Um-dois-três-quatros-cinco-seis-sete. Como se houvesse uma possibilidade de recomeço. Um novo nascimento. Doze-treze-catorze-quinze. Uma infinidade de segundos para preencher, para viver; alguns vazios, alguns banais, alguns dolorosos, alguns insuportáveis, alguns felizes; a felicidade possível, uma felicidade que momentaneamente até poderia ir além dos serviços mínimos. Vinte-e-um-vinte-e-dois-vinte-e-três-vinte-e-quatro. Quem sabe?”


Serviços Mínimos de Felicidade | Paulo Kellerman

“Há pessoas que são casas”

“Não sei como
Não sei porquê
Não sei quando terá começado
Nem sei se algum dia acabará
Mas sei que hoje sou parte de uma Casa
Igual a tantas outras
Mas diferente de qualquer outra

Uma Casa que me acolhe 
Que me protege 
Que me consola
Um lugar onde preciso voltar 
De quando em quando
Para me lembrar quem sou
Para me lembrar por onde quero ir
Sem saber onde vou chegar
Nem quando vou chegar

Essa Casa tem paredes
Feitas de Gente
Nenhuma parede mestra
E todas feitas de mestres
Não é grande nem pequena
Tal como as pessoas
Não são grandes, nem pequenas
Apenas são…”

Paulo Santos | Galeria Nova Ogiva | Óbidos

A propósito da nossa Casa, já está disponível o novo álbum do jovem vimaranense Diogo Alves Pinto aka Gobi Bear. “Our Homes & Our Hearts”,  o oitavo trabalho do ‘urso’ conta com as doces vozes de emmy Curl e Surma nos temas Unloved e Sealion, respetivamente.

Para ouvir… e ouvir… e voltar a ouvir…

https://gobibear.bandcamp.com/track/our-homes-our-hearts

Inspirações

Em 1977, uma jovem australiana, com 27 anos, partiu de Alice Springs para atravessar um deserto inóspito até o Oceano Índico, perfazendo uma caminhada de 2700 km. Os seus companheiros de viagem: um cão e 4 camelos. Apesar do desejo de auto-suficiência, Robyn Davidson (The Camel Lady) aceita o financiamento da National Geographic em troca de um artigo para a revista. Para registar momentos dessa aventura foi ainda acompanhada por Rick Smolan, um fotógrafo da referida revista. O sucesso do artigo foi de tal ordem que Robyn Davidson acaba por escrever um livro – “Tracks: A Woman’s Solo Trek Across 1700 Miles of Australian Outback “. O fotógrafo segue as pisadas e publica “From Alice to Ocean”.
Diz-se que esta aventura inspirou Bruce Chatwin a viajar até à Austrália e escrever “The Songlines”.

“O impossível está ao alcance de todos nós.”