A Montanha é de todos

Existe o mito (sim, mito) de que a montanha não é acessível a todos. A montanha existe para todos, acreditem! O segredo: respeito.
Já tive o privilégio de caminhar com pessoas que um dia acordaram e decidiram trilhar nos Picos. Nunca, até ao momento, tinham caminhado em alta montanha. Também já partilhei mesa num refúgio, durante o Tour du Mont Blanc, com filho e pai, tendo este mais de setenta anos.  São lições e provas vivas que a força, mais do que física, é mental. É a mente que nos conduz ao cimo dos cumes e é a emoção que sentimos que nos rasga um sorriso quando os atingimos. É de uma grandiosidade! É uma imensidão! Pffff… Os amantes de montanha sabem ao que me refiro. Para os que não são, serve esta publicação para despertar o desejo de um dia se desafiarem a conseguir um sorriso maior do que o meu. Independentemente do ritmo de qualquer um, existe apenas um pré-requisito: preparar a mochila com o que é realmente essencial (aí percebe-se que o verdadeiramente essencial é pouco, muito pouco) e ir.

A beleza do Parque Nacional dos Picos de Europa, localizado no país vizinho, despertou tamanho encanto em mim que, desde 2012, regresso sempre que posso. Há muito para dizer sobre este paraíso, no entanto, confesso a minha dificuldade em expressar por palavras o que sente quando, durante alguns dias, se calcorreia sobre um tapete colorido de flores, num fundo verde e rodeado de montanhas. A música oscila entre o correr da água dos rios e o tagarelar dos pássaros. Este é daqueles sítios que sinto ser uma bênção na Terra. Quanto a mim, sou apenas uma das muitas abençoadas que por lá já passaram. No regresso a casa, com uma ou outra bolha e a marca do já habitual tralho, sinto-me leve e grata. Muito grata!

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Dia M

Dizem que hoje é o seu dia. Tem um poder único que só os privilegiados que por lá andam o sentem, no corpo e na alma. Carrega(-nos de) energia. Lá bem no alto, longe do ruído das palavras, fechamos os olhos e, ao som do vento, voamos por entre as nuvens.
Hoje é o dia M, de mágica, de majestosa. Hoje, 11 de dezembro, é o Dia Internacional da Montanha. Como diz um amigo, Vénia a esta Rainha.
Fecha os olhos e inspira… vamos voar?

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Pico | Portugal
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Pico | Portugal
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Pico Gilbo | Espanha
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Pico Gilbo | Espanha
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Lac Blanc | França
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Alpes | Itália
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Alpes | Itália
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Alpes | Suiça
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Picos de Europa | Espanha
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Chomolungma | Tibete
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Chomolungma | Tibete
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Somiedo | Espanha
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Peña Ubiña | Espanha

Tour du Mont Blanc – II

Voltamos aos Alpes?
O relato remonta ao segundo dia de aventura. Já calçaram as botas? A mochila nas costas? Ora vamos lá…

Dia 2: Les Contamines – Refúgio Croix du Bonhomme (França)
O despertador toca, uma vez mais, a horas algo impróprias, mas… dá saúde e faz crescer. Os seis valentes membros do Um Par de Botas estão prontos para cumprir a segunda etapa. Espera-nos um percurso de 14 km. Bafejados pelo bom tempo, iniciámos a caminhada em direção ao Refúgio de La Balme. Após curta paragem seguimos para o Col du Bonhomme que, segundo o marco, regista uma altitude de 2329 metros. Mais uns passos e chegámos ao destino – Refúgio de La Croix du Bonhomme.  Neste dia terminámos demasiado cedo e só nos foi permitido tomar banho no final da tarde. A água era fria. O refúgio demasiado grande e, na minha opinião, pouco acolhedor, mas rodeado de uma paisagem que fazia suster a respiração para, posteriormente, libertar o ar de forma (a)morosa.

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Tour du Mont Blanc – I

Lembram-se da Heidi, a menina das montanhas, a saltitar pelos Alpes suíços? Pois bem, foi como me senti durante o TMB. Quer dizer, nem sempre saltitei, mas há pormenores dispensáveis, certo?! Foram percorridos cerca de 170 km, passando por 3 países e perfazendo um total de 10 mil metros de desnível. O nosso mentor foi o Mont Blanc, aquele que nos propusemos circundar durante 9 dias. Loucura sadia, esta! Claro que houve momentos fisicamente exigentes, mas o desafio foi, acima de tudo, mental. Nós, seres humanos, temos uma energia e força interior que, muitas vezes, só  percebemos e valorizamos quando saímos da dita zona de conforto. Somos absolutamente incríveis!

Irei (nesta e nas publicações seguintes) partilhar breves relatos da experiência vivida (e sentida), assim como algumas fotografias. Deixo ainda um desejo: que todos possam, um dia, gozar a paz da montanha; pelo menos um dia.

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Dia 1Les Houches – Les Contamines (França)
Tudo começou em Chamonix. Bem cedo dirigimo-nos ao ponto de partida da aventura – Les Houches. Preparados? Claro que sim! Neste dia esperavam-nos 19,5 km de percurso. Foi um dia longo e com algumas surpresas pelo meio. A paisagem variou entre a cor esperança e o branco da neve que cobria parte da rocha montanhosa. No final, merecedores, fomos brindados com tons laranja de um belo pôr-do-sol. Cansados, mas o entusiasmo da primeira etapa cumprida prevaleceu. Amanhã há mais…

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Aiguille du Midi

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Montanha Mágica

Foi em agosto de 2012 a primeira vez que lá fui. Na altura não sabia muito bem o que (me) esperava, mas dentro de mim existia a certeza que tudo seria bom. E foi! Foi tão bom que já lá voltei e voltarei sempre que possível. Refiro-me aos Picos de Europa, por terras de nuestros hermanos. Esta formação montanhosa na Cordilheira Cantábrica estende-se por três regiões: Astúrias, Cantábria e Castela Leão.
Um dos percursos mais bonitos e desafiantes tem início em Cordiñanes e termina na melhor esplanada do mundo (não, não é exagero!), mais precisamente no Collado Jermoso, ao lado do refúgio Diego Mella. Dos trilhos que percorri, este é, sem dúvida, o meu favorito. Durante esta caminhada é permitido o uso e, em determinadas partes, algum abuso do abrangente léxico nortenho. São apenas 4 km e podem durar entre 4 a 5 horas (ou mais) a percorrê-los. Não é isso que nos fez (faz) desistir. Ao longo do trilho vão apreciar paisagens de singular beleza e um pôr-do-sol tremendamente belo, a pouco mais de 2 mil metros de altitude. Aqui, não chegam carros. Estamos nós e a natureza

Neste Parque Nacional respira-se natureza em estado puro. Alguns trilhos são percorridos ao som da água a correr entre pedras. Por vezes caminha-se acima das nuvens. Contrariamente ao que se pode pensar, enche de forças e gratidão.

Hoje senti o ar da montanha entrar na pele. Faz sorrir e renova o coração.

Deixo aqui uma seleção de fotografias com o objetivo de aliciar aqueles que não conhecem e seduzir para um regresso os que conhecem.

Isto é o feitiço da montanha…

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