Islândia IV

Um dos “poderes” dos sonhadores é viajar, com frequência, sem sair do sofá. Viaja-se pelo ainda desconhecido ou volta-se a locais antes visitados.

Imbuída pelo frio que se faz sentir, apeteceu-me ir até à Islândia, mais concretamente a Leirhnjúkur,  que faz parte da região vulcânica do Krafla. Se por um lado a Terra do Gelo com os sedutores  glaciares encanta qualquer um, a parte  correspodente à Terra do Fogo não se deixa ficar atrás.  A intensa atividade vulcânica da Islândia ajudou a moldar a sua deslumbrante paisagem. Em Leirhnjúkur percorro o que o interior da Terra ofereceu. Caminho sobre um vulcão ativo. O solo está quente. Durante um par de horas perco-me entre os campos de lava e deixo-me levar pelo mistério que as fumarolas fazem sentir. É a Mãe Natureza a conduzir este trilho soberbo.

Curiosidades:
A primeira erupção ocorreu entre 1724-29, conhecida como os Fogos de Myvatn. Após 250 anos de dormência, o Krafla entrou em erupção de 1975 a 1984, período denominado  de Fogos do Krafla.

Nos Açores, os campos de lava tão característicos das pérolas atlânticas e formados pelas erupções vulcânicas, são vulgarmente conhecidos por “Mistérios”, atendendo a que os habitantes não tinham justificação para tais fenónemos naturais.

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Um infinito de cor azul

Gosto de viajar. Gosto da capacidade que me transporta de um ponto a outro, muitas vezes, sem me deslocar. Arrisco mesmo dizer que viajo 365 dias no ano (caso seja ano bissexto, folgo um dia) e não me parece uma hipérbole. Gosto de viagens conduzidas por uma música, uma frase, um rosto, uma imagem, …

Hoje, dou por mim à porta de uma casa nos fiordes do leste islandês. À janela, um senhor que cruzou o seu olhar com o meu, apenas uma única vez. No olhar carregava nostalgia e resistência, que se desvaneciam por entre os vidros de uma janela com vista para um infinito de cor azul. Naquele momento, gostaria que a pequena A. estivesse comigo. Ela disse: “um dia vou pôr açúcar no mar, para ficar doce”. A. vamos adoçar o mar deste senhor?

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A universalidade da música

Ele é alemão. Ela vive na Islândia. Stjerner significa estrela, em norueguês e é cantado em estónio.

https://www.youtube.com/watch?v=ZvOMEK85uRk

“Listen to the wind, birds and the sea, listen to your cat or whatever you like…but you cannot go wrong. Everything in the world has something to tell you, you just have to listen.”

Islândia IV

Hoje prosseguimos viagem e voltamos (se é que alguma vez saímos) à terra dos elfos.

Se viram as três publicações, aqui partilhadas, acerca da Islândia, já devem ter sentido a magnificência deste país. A cada “virar da esquina” o espanto toma conta de nós… “pfffffff…Isto existe?!”. Sim, existe. São 103 mil km² de pura magia. Lugares inóspitos, águas límpidas e natureza inexplorada. É a Islândia.

Uma das coisas mais incríveis (que fique claro que estou a ser injusta… Tudo é incrível neste país!!) são as inúmeras quedas de água. Quase pode dizer-se que cada islandês tem uma cascata no seu quintal ou a escassos metros. Acreditem que não estou a exagerar.

O meu bom islandês permite-me explicar que foss significa cascata. Assim, tudo que tenha foss, já sabem…

Mergulhemos nos cenários idílicos ao som do prodigioso “filho da terra”, Ólafur Arnalds, numa música dedicada à água.

“Whatever translation me or my team could make could never do Einar’s beautiful words justice, so we decided against translating it. But it’s about this river close to the farm where Einar grew up. As a kid he used to go sit by the river and just listen to the sound. Apparently this river is quite well known for how beautiful it sounds…like it’s playing music.”

Gullfoss é um símbolo nacional. Esta impressionante queda de água, com 32 metros de altura, fica no sul do país, a cerca de 2h da capital e faz parte do Círculo Dourado. Alimentadas pelo rio Hvítá, as cascatas  douradas são as mais visitadas da Islândia.
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Dettifoss é  a maior queda de água da Europa em de volume de água, com um caudal estimado entre os 200 e os 500 metros cúbicos de água por segundo. Esta cascata tem 100 metros de largura e 44 de altura. Ao lado da Dettifoss encontra-se Selfoss, uma outra cascata.

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Selfoss
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Dettifoss
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Dettifoss

Sintam a força da natureza:

Seljalandsfoss é mais uma das famosas cascatas da Islândia. Tem cerca 60 metros de altura e, devido à geografia do local, é possível passar por trás da queda de água de onde é possível apreciar ainda mais a exuberância natural e tomar banho, se é que me faço entender.

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Skógafoss é também uma das maiores quedas de água do país, com uma largura de 25 metros e 60 metros de altura. Transporta a água do rio Skógaá proveniente dos glaciares Eyjafjallajökull e Mýrdalsjökul. Há uma lenda de que o primeiro morador da área, o viking Þrasi Thorolfsson, já na sua velhice, com uma grande fortuna e sem herdeiros, escondeu todo o seu ouro atrás da queda de água e até hoje ninguém nunca conseguiu encontrar. Ora aqui está mais um motivo para voltar.

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Islândia (III)

Há dias, numa viagem de comboio, os vizinhos da frente eram um casal australiano. A senhora, bastante mais reservada, pouco falou. O senhor, com ar descontraído e bem humorado, iniciou a conversa com a típica pergunta “where do you come from?”. Partilhou que já tinha estado em Portugal, mas pouco conhece, visto ter sido uma viagem em trabalho. Claro que lhes disse que tinham de voltar e incluir, nessa visita, o norte e os Açores. No decorrer da conversa, o senhor afirmou que recentemente tinham estado na Islândia. (Islândia?! A sério?! Coincidência!!). Registei as seguintes palavras:”Iceland is like life should be.”

Lembrei-me de um exemplo muito simples. As igrejas. Esqueçam a ostentação, os rococós e as talhas douradas. Muitas das igrejas encontram-se em lugares ermos, têm telhados coloridos e são simultaneamente locais apaziguadores e alegres e, como em tudo nesta ilha, libertadores de (boa) energia.

A religião predominante na Islândia é o luteranismo.

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Húsavík (pequena cidade do norte da Islândia)

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Igreja de Reykjahlid (aldeia na margem do Lago Myvatn, no nordeste da Islândia)
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Igreja de Vík

Igrejas “perdidas” (quero com isto dizer que não me recordo do nome das terras, mas com toda a certeza que  a letra “k” andará por lá)

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Hallgrímskirkja, situada em Reykjavík, capital da Islândia.  Esta igreja prima pela simbologia da sua arquitetura. Foi projetada por forma a imitar o movimento da lava de um vulcão.

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Hallgrímskirkja (Reykjavík)
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Interior de Hallgrímskirkja (Reykjavík)
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Interior de Hallgrímskirkja (Reykjavík)
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Hallgrímskirkja (Reykjavík)

A última e minha favorita: Kirkjubær está localizada no topo de uma colina em Stöðvarfjörður, nos fiordes do leste islandês. Esta antiga igreja tem a particularidade de ter sido transformada numa guesthouse, com capacidade para 10 pessoas.

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Kirkjubær (Stöðvarfjörður)
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Kirkjubær (Stöðvarfjörður)