Viagens fundamentais

“Num conto intitulado Conversa de quintal, Olinda Beja põe uma personagem a dizer que tem na sua cabeça um mundo de histórias a estragarem-se (Eu tem um mundo de sóya aqui no cabeça a estragá).

Culpamos muitas vezes as novas tecnologias e as redes sociais pelo desinteresse a respeito de certas tradições e partilhas culturais e, por isso, as histórias ficam a estragar-se na cabeça de algumas pessoas. Eu, na altura em que poderia ter impedido uma série de histórias de se estragarem, cometi exactamente o mesmo erro, o da indiferença. Hoje tenho muita pena de não ter ouvido dos meus avós, da minha mãe, as histórias que poderia ter ouvido. Como não havia redes sociais, creio que o culpado só posso ser eu. Penso que o meu caso não será único, e muitos de nós deixaram histórias estragarem-se assim como verão muitas das suas a definharem sem se cumprirem, sem terem a possibilidade de sair e habitar outro corpo, não por causa das redes sociais, nem por causa de culpados anteriores, a televisão ou as brincadeiras de rua, mas por mero desinteresse ou, se quisermos, incapacidade para avaliar e detectar as riquezas que nos cercam. O que nos interessa na juventude não é o mesmo que nos interessa na maturidade ou na velhice, e isso é um problema difícil de sanar. Em África repete-se muito um conhecido adágio: quando morre um velho desaparece uma biblioteca.

Alzira Rebelo Andrade | Rabo de Peixe

Podemos fazer grandes viagens, Samarcanda, Bagdade, Wadi Rum, Agra, podemos subir as montanhas mais altas, deixar pegadas num deserto africano, dormir com leões e nadar com tubarões, fotografar auroras boreais, cavalos selvagens e vulcões zangados, mas há viagens demasiado próximas que têm mais grandiosidade do que as maiores e mais belas quedas de água ou picos nevados ou selvas luxuriantes ou imponentes túmulos de pedra. A grande viagem começa às vezes ao nosso lado, pode estar a um pequeno percurso de carro ou de autocarro ou a pé ou de bicicleta, pode ser facilmente encontrada no interior do país, por exemplo, onde a solidão se cultiva com mais zelo do que os campos de searas, pode estar no café de uma esquina ou no quintal. Pode estar sentada na nossa sala. Há grandes viagens que se deitam todos os dias em nossa casa e sonham sozinhas. A essas viagens fundamentais, as mais belas de todas, chamamos simplesmente “disponibilidade para ouvir”. Ou partilha. Ou tomar um chá ao fim da tarde.”

Texto de Afonso Cruz | Evasões 360|24 de agosto de 2018

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A Anfitriã de Sonhos

É nestes vidros embaciados que desenho os meus sonhos. Nos dias frios ganham mais vida que nunca. Alguns deixam-se ficar e caminham sobre as teias noutra direção.  Outros ganham asas e é pelo canto superior esquerdo deste conjunto de seis quadrados que os deixo voar…

Senhor António

– Mãe, afinal o mundo não é apenas redondo.
– Então?!
– Pode tomar a forma que quisermos. De um livro, por exemplo. Este é sobre o mundo dos pastores, o mundo do senhor António. Podemos levar, mãe? Tenho saudades dele. Da sua serenidade e da sua sabedoria. Do modo carinhoso que segura a minha mão, quando passeamos juntos. Ontem comecei a contagem dos dias para o Natal, para o abraçar e passar as tardes à lareira, a ouvi-lo.


Føroyar

Cada viagem tem uma banda sonora e esta não foi exceção. A escolha: The National. (Matt Berninger és um sortudo!)
Partimos de Faro rumo à ilha de Vágar. Após duas escalas, Amesterdão e Copenhaga, eis-nos em pleno Atlântico, na tão desejada aventura: a descoberta das Faroé.
Entre o Reino Unido, Islândia e Noruega encontra-se este arquipélago de 18 ilhas, com cerca de 50 mil habitantes e 70 mil ovelhas.
A capital, Tórshavn, fica na ilha maior e central, Streymoy, onde reside um quarto da população total das Faroé.
Algumas das ilhas são acessíveis apenas de barco ou helicóptero. Para visitá-las S. Pedro e Neptuno devem tornar-se aliados, o que nem sempre acontece, mesmo em pleno mês de agosto. Por esse motivo, a visita a  Mykines, a ilha mais ocidental do arquipélago, com cerca de uma dezena de habitantes e conhecida pela colónia de puffins, ficou pendente. É sempre bom ter um motivo para regressar, não é?

Sem qualquer ordem, a minha lista dos imperdíveis: Bøur; Gásaladur; lago Sørvagsvatn (Leitisvatn); Saksun; Kirkjubøur; Tjørnuvík (vale a pena descobrir a casa do senhor Hans, pelos maravilhosos waffles, o café e os deliciosos minutos de conversa); a maior queda de água – Fossá; Gjogv; Kalsoy e o seu farol, Kallur.

Para continuar a viagem, algumas fotos…
Vens comigo?

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Lago Sørvagsvatn (Leitisvatn) – ilha de Vágar

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Lago Sørvagsvatn (Leitisvatn) – ilha de Vágar

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Kirkjubøur (ilha de Streymoy)

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Rumo a nada, rumo a tudo

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Vestamanna (ilha de Streymoy)

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Funningur (ilha de Eysturoy)

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Gjogv (ilha de Eysturoy)

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Gjogv (ilha de Eysturoy)

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Bøur (ilha de Vágar)

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Saksun (ilha de Streymoy)

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Saksun (ilha de Streymoy)

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Saksun (ilha de Streymoy)

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Funningur (ilha de Eysturoy)

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Gásaladur (ilha de Vágar)

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Gásaladur (ilha de Vágar)

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Kallur (ilha de Kalsoy)

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Kallur (ilha de Kalsoy)

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Kallur (ilha de Kalsoy)

Já agora, vale a pena espreitar:

http://www.omundomagno.com/2018/07/roteiro-ilhas-faroe.html

O Mundo Magno é maravilhoso!