“Há pessoas que são casas”

“Não sei como
Não sei porquê
Não sei quando terá começado
Nem sei se algum dia acabará
Mas sei que hoje sou parte de uma Casa
Igual a tantas outras
Mas diferente de qualquer outra

Uma Casa que me acolhe 
Que me protege 
Que me consola
Um lugar onde preciso voltar 
De quando em quando
Para me lembrar quem sou
Para me lembrar por onde quero ir
Sem saber onde vou chegar
Nem quando vou chegar

Essa Casa tem paredes
Feitas de Gente
Nenhuma parede mestra
E todas feitas de mestres
Não é grande nem pequena
Tal como as pessoas
Não são grandes, nem pequenas
Apenas são…”

Paulo Santos | Galeria Nova Ogiva | Óbidos

A propósito da nossa Casa, já está disponível o novo álbum do jovem vimaranense Diogo Alves Pinto aka Gobi Bear. “Our Homes & Our Hearts”,  o oitavo trabalho do ‘urso’ conta com as doces vozes de emmy Curl e Surma nos temas Unloved e Sealion, respetivamente.

Para ouvir… e ouvir… e voltar a ouvir…

https://gobibear.bandcamp.com/track/our-homes-our-hearts

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Depois…

Voltei para casa. Trazia comigo um sorriso que se estendia por este corpo franzino de um metro e sessenta. Apressei o passo quando me apercebi das horas… os meus pais estão quase a levantar-se. Entre passos acelerados e piruetas de felicidade, cheguei a casa. Descalcei-me e, em bicos de pés, fui para o quarto e ali fiquei, a ouvir música. Desta vez a cama, essa, não dava aquelas voltas tontas. E, por minutos, daqueles que são eternos, o meu corpo e a minha alma uniram-se para, sem limites, dançar. De olhos fechados, sorria e cantarolava “When you go? Go far”.

O cheiro da cevada acabada de fazer e o barulho do pão a brincar com a torradeira invadem o quarto. Não resisti.
– Bom dia, mãe! Bom dia, pai! Dormiram bem?
– Bom dia, filho! Já estás acordado?, indagou a mãe.
– Acordei agora mesmo.
– Hmmm… Tens alguma fisgada! Conheço esse sorriso…
– Estou feliz! Apenas isso… Feliz! Pai, posso ir com o senhor António, para o campo, ajudar a passear as ovelhas?
– Vai, mas porta-te bem!
– Claro que sim!

Saí porta fora a correr.

Voltei atrás… Pus o chapéu que estava no bengaleiro, por detrás da porta da cozinha. Mãe, almoço no campo. Beijinhos
– Este rapaz! Espera… disse a mãe, sem sucesso.

A manhã continua bonita. O sol pinta os campos de ouro e os pássaros dão melodia a estes lugares de paz.

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Desta vez é a magnífica fotografia do Marco quem dá vida às minhas palavras, que dançam ao som de “Hemma”, o single que integrará o álbum “Antwerpen”, com lançamento previsto para outubro, da banda-de-uma-só-mulher, Surma.

Relembro que o Marco anda por aqui:

http://www.marcogil.pt/

http://p3.publico.pt/actualidade/sociedade/24012/lisboa-e-para-todos

e

https://www.facebook.com/MarcoGilFotografia/

E aqui, Surma:

http://omnichordrecords.com/pt/artistas-2/surma-15/

https://www.facebook.com/surmaee/

e

https://surma.bandcamp.com/

Quanto a mim, estou à janela… a ver o mundo!

Insónia

Eram cinco da manhã e a cama teimava em dar voltas. Decidi contrariá-la. Levantei-me de rompante, vesti-me, calcei umas sapatilhas e saí de casa, despenteado e com a cara por lavar. Precisava serenar das voltas que a cama insistentemente deu à minha alma. Ainda meio tonto, caminho sem destino.
Está frio. Ponho as mãos nos bolsos dos calções e encontro um dos auscultadores há muito perdidos. Sintonizo-me com a música que passa no momento.

Trauteio aquela letra quase impercetível mas, ainda assim, mágica. Começo a sorrir. Volto ao início da música e continuo a caminhar. Ao longe vejo uma luz que se repete de – um, dois, três, …, sete, oito, …, doze – doze em doze segundos. E o caminho ganhou destino. É ali, no farol, que vou ver o sol raiar. Tirei os auscultadores e a música que tocava, repetidamente, deu lugar ao som do mar.
Bom dia, dia bom!

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