A Montanha é de todos

Existe o mito (sim, mito) de que a montanha não é acessível a todos. A montanha existe para todos, acreditem! O segredo: respeito.
Já tive o privilégio de caminhar com pessoas que um dia acordaram e decidiram trilhar nos Picos. Nunca, até ao momento, tinham caminhado em alta montanha. Também já partilhei mesa num refúgio, durante o Tour du Mont Blanc, com filho e pai, tendo este mais de setenta anos.  São lições e provas vivas que a força, mais do que física, é mental. É a mente que nos conduz ao cimo dos cumes e é a emoção que sentimos que nos rasga um sorriso quando os atingimos. É de uma grandiosidade! É uma imensidão! Pffff… Os amantes de montanha sabem ao que me refiro. Para os que não são, serve esta publicação para despertar o desejo de um dia se desafiarem a conseguir um sorriso maior do que o meu. Independentemente do ritmo de qualquer um, existe apenas um pré-requisito: preparar a mochila com o que é realmente essencial (aí percebe-se que o verdadeiramente essencial é pouco, muito pouco) e ir.

A beleza do Parque Nacional dos Picos de Europa, localizado no país vizinho, despertou tamanho encanto em mim que, desde 2012, regresso sempre que posso. Há muito para dizer sobre este paraíso, no entanto, confesso a minha dificuldade em expressar por palavras o que sente quando, durante alguns dias, se calcorreia sobre um tapete colorido de flores, num fundo verde e rodeado de montanhas. A música oscila entre o correr da água dos rios e o tagarelar dos pássaros. Este é daqueles sítios que sinto ser uma bênção na Terra. Quanto a mim, sou apenas uma das muitas abençoadas que por lá já passaram. No regresso a casa, com uma ou outra bolha e a marca do já habitual tralho, sinto-me leve e grata. Muito grata!

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Montanha Mágica

Foi em agosto de 2012 a primeira vez que lá fui. Na altura não sabia muito bem o que (me) esperava, mas dentro de mim existia a certeza que tudo seria bom. E foi! Foi tão bom que já lá voltei e voltarei sempre que possível. Refiro-me aos Picos de Europa, por terras de nuestros hermanos. Esta formação montanhosa na Cordilheira Cantábrica estende-se por três regiões: Astúrias, Cantábria e Castela Leão.
Um dos percursos mais bonitos e desafiantes tem início em Cordiñanes e termina na melhor esplanada do mundo (não, não é exagero!), mais precisamente no Collado Jermoso, ao lado do refúgio Diego Mella. Dos trilhos que percorri, este é, sem dúvida, o meu favorito. Durante esta caminhada é permitido o uso e, em determinadas partes, algum abuso do abrangente léxico nortenho. São apenas 4 km e podem durar entre 4 a 5 horas (ou mais) a percorrê-los. Não é isso que nos fez (faz) desistir. Ao longo do trilho vão apreciar paisagens de singular beleza e um pôr-do-sol tremendamente belo, a pouco mais de 2 mil metros de altitude. Aqui, não chegam carros. Estamos nós e a natureza

Neste Parque Nacional respira-se natureza em estado puro. Alguns trilhos são percorridos ao som da água a correr entre pedras. Por vezes caminha-se acima das nuvens. Contrariamente ao que se pode pensar, enche de forças e gratidão.

Hoje senti o ar da montanha entrar na pele. Faz sorrir e renova o coração.

Deixo aqui uma seleção de fotografias com o objetivo de aliciar aqueles que não conhecem e seduzir para um regresso os que conhecem.

Isto é o feitiço da montanha…

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