Música, música,… sempre música!

Foi no dia 1 de outubro de 1975 que o International Music Council –  instituição fundada em 1949, pela UNESCO, que agrega vários organismos e individualidades do mundo da música – instituiu o Dia Mundial da Música. “Promover a arte musical em todos os sectores da sociedade, divulgar a diversidade musical e aplicação dos ideais da UNESCO como a paz e amizade entre as pessoas, a evolução das culturas e a troca de experiências”, são alguns dos objetivos que estão na origem da criação deste dia.

“A música tem um enorme poder transformador, quase imediato. É uma das poucas artes, senão a única, capaz de nos fazer mexer o corpo, de nos pôr a dançar, de provocar catarse ou êxtase.” 
Nem Todas As Baleias Voam | Afonso Cruz
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Danças?

“(…) vivemos numa tapeçaria e que, por mais longe que estejamos uns dos outros, somos a mesma história, fazemos parte do mesmo tapete, a morte de uns é o nascimento de outros, a face da nossa vitória é a derrocada de alguém. (…) a nossa história nunca é só a nossa história, é uma vastidão tão grande que custa mapear. Faremos os possíveis. Resistiremos à pequenez a que nos prendem, ao nome que somos, ao corpo ridículo que temos, resistiremos à Conservatória, ao estado larvar a que fomos condenados, porque somos muito mais compridos do que isso, muito mais antigos, muito mais vastos. Temos asas coloridas de borboletas dentro de casulos pútridos e cinzentos que chamamos realidade objectiva ou identidade ou individualidade.”

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“Pousei a cédula do senhor Ulme na prateleira e disse:
– Já sabemos em que ano nasceu.
– Eu sei que ano nasci, cavalheiro. Não precisava de consultar a minha cédula.
– Muito bem. E agora?
– Agora, o quê?
– Próximo passo.
– O cavalheiro sabe dançar?
(…)
– Eu não consigo dançar, acho que não nasci com os genes necessários.
– Genes?
– Que se lixem os genes. Nem sequer se vêem a olho nu. São uma desculpa ridícula, uma desculpa que nem se vê a olho nu.
– A verdade é que nem sei por onde começar.
– Solte as ancas, cavalheiro, que o próximo passo virá naturalmente.(…)”
Flores | Afonso Cruz

Minúsculo vs Infinto

De como um rectângulo pode ser infinito dentro dos seus limites; de como o Homem pode ter as mesmas características

    Leon Battista Alberti dizia que, antes de começar a pintar o artista deve desenhar um rectângulo e que esse rectângulo é a janela para a cena que se quer retratar. Este é o milagre da perspectiva: a lonjura faz as coisas pequenas, faz um milagre. Diz-se que o recipiente é maior, é sempre maior do que o conteúdo, e que o contrário não se pode verificar. É falso, como comprova a minha janela pequenina. Nela cabe uma paisagem gigantesca. É o milagre da perspectiva. Mas daqui devem concluir-se mais coisas, a saber:
     Coisa número um: num homem pequeno, minúsculo, pode assim caber algo muito maior do que ele. Dentro do homem cabem mares e paisagens, o infinito e o próprio Deus do Universo, o meu gato que já morreu e de que sinto uma tremenda falta.
     Coisa número dois: o Homem é uma janela pequenina. E com isto diz-se tudo o que há para dizer sobre o Homem. Diz-se que é minúsculo e diz-se que é infinito.
Mil Anos de Esquecimento | Afonso Cruz

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Harpa | Reykjavik |Islândia

Vida apaixonada

Há dias que, quando menos esperamos, somos abençoados. Atingimos um estado de leveza tal que se uma brisa se cruzasse connosco levar-nos-ia a todos os sítios onde fomos/somos verdadeiramente felizes.
No caminho cruzo-me com um peregrino. Sinto profunda admiração por quem embarca nestas viagens interiores. O brilho no olhar e o sorriso são a minha saudação a este grande “viajante”, sussurrando: ultreia.
A melhor descrição que, até ao momento, ouvi para explicar a dimensão da palavra ultreia foi da boca de Afonso Cruz. Julgo que já aqui o referi uma vez, mas há palavras que nunca me canso de ouvir/ler. Aqui está: “Ultreia que significa um passo mais além. É dar um passo além.(…) Quando temos medo, o que temos à nossa frente é um abismo, mas quando damos um passo em frente, o que temos à frente é uma ponte.”

“Tenho a certeza de que a vida morre com a rotina e não com a morte, e que o hábito nos petrifica, (…).
(…), a rotina embacia-nos, torna-nos indefinidos, desfocados, fantasmas, máquinas, ao mesmo tempo que nos solidifica em estátuas de sal. A consciência da morte é o que nos desperta dessa morte em que vivemos, que nos diz o que deveríamos ter feito, o que deixámos de fazer, a morte é um despertador, um despertador que nos acorda para a inevitabilidade dos nossos erros. (…) A solução seria termos todos uma caveira na mesinha-de-cabeceira, como fazem os monges cartuxos, para nos servir de despertador e todos os dias sabermos que temos de acordar, não para viver a rotina fatal do quotidiano, mas a vida apaixonada de alguém que ainda sabe que existem nuvens, céu, beijos.” 

Flores |Afonso Cruz

Há pessoas que passam por nós e, sem fazer a mínima ideia da nossa existência, fazem-nos tão bem.

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Um bocado de mim

“Sem metáforas, por exemplo, não é muito interessante falar. Eu posso dizer que uma janela é uma janela, mas isso já toda a gente sabe. Com a poesia posso dizer que uma janela é um bocado de mar ou uma cotovia a voar.
Mentiras.
Por vezes são as únicas verdades.
(…)
Uma janela é uma janela, mas uma janela que é um pássaro a voar é uma realidade mais profunda, para lá do vidro, algo que está para além da definição, mas que faz parte dela e que a descreve, ainda que por um breve momento.  Uma janela é muitas coisas e…” (Vamos Comprar um Poeta)

Como é hábito, de manhã, bem cedo, as janelas abriram-se. A brisa, borrifada com um suave aroma de primavera, entrou e fez das suas. Depois de rodopiar pela casa, encostou-se à Janela, soprou uma vela e sussurrou: Parabéns! Fazes hoje um ano.
Foi há um ano que “decidi abrir uma parte Da minha Janela para o Mundo”; foi aqui que, até ao momento, umas quantas imagens se juntaram a uns quantos devaneios teresianos e dançaram ao som das músicas que alimentam a minha alma. O balanço?! Tem sido um desafio crescente, mas leve e sem obrigações (já nos chegam aquelas que são impostas no dia-a-dia),  tal e qual como gosto. Funciona (quase) como uma terapia. Vou fazer por melhorar, mantendo a simplicidade que tanto me apraz.

Como forma de agradecimento, aos que espreitaram por esta Janela, partilho duas frases que repito todos os dias, como se de orações se tratassem:

“Viver não tem nada a ver com isso que as pessoas fazem todos os dias, viver é precisamente o oposto, é aquilo que não fazemos todos os dias.” (Flores)

“Tenho milhas a percorrer antes de dormir.” (Vamos Comprar um Poeta)

A todos, sem qualquer exceção, a minha gratidão. Um abraço especial e um sorriso aos que acreditaram (sempre!) e contribuíram para o primeiro aniversário desta Janela, que me é tão especial.
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P.S. As frases partilhadas são do escritor Afonso Cruz